O MITO DA PROCURA DE DEUSES E DEMÓNIOS

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

TERMINUS 1

        

_____POEMA 9 ___________

___________________________________

 .

Não sei o teu novo código postal

mas sei que estás aí, mãe,

aí, debaixo dessa pedra

que ainda há pouco tempo

mandei compor

na tua cabeceira...

deixo-te este ramo de rosas

vermelhas de ira

e vermelhas de raiva...

faz-me falta o teu silêncio

o afago do teu sorriso,

o teu encolher de ombros

a angélica luz dos teus olhares...

e deixo-te estas rosas,

no dia dos teus anos

porque sei ,

eu sei que continuas a observar-me

desse buraco escuro,

logo depois da pedra

que se partiu,

onde escondes a face

e descansas o corpo

que te deixei esticado numa tarde...

em Setembro...

e é daí que vês,

é daí que obervas a loucura

e esta maldição, este não querer,

esta mordaça, esta insatisfação

dumas entranhas frágeis...

Deixo-te rosas mãe,

o tempo já é pouco

aonde habitas...

são vermelhas de raiva,

tingidas de palavras

de vingança

de mim próprio...

vermelhas são papoilas

das searas que não lavrei

dentro de mim.

Deixo-tas

Para me esquecer

do tempo esfarrapado

deste despir por nada

como lugres que voltam

com o porão vazio.

São vermelhas, mãe

Com o choros que te deixo ficar

na lisura da pedra ataviada

onde te deitas hirta...

vermelhas...

e regadas no engano

onde ponho os limites

impossiveis...

serena-me os sentidos

neste ramo de flores

e deixa-me fugir

e não voltar.

.

~ 

 

   ~~~~~~POEMA 7~~~~~~~

.

Escuto a minha voz

nas vozes que se escutam

nos prédios de três andares

que infestam o outro lado da cidade,

são poucos os poemas que se abrigam

na descoberta das ruas

insegura a palavra que não rima

ao fim de cada abraço

se o autocarro amarelo passa

para se precipitar no vão da escada

por uma porta aberta no horário.

A serrania dorme nos seus medos

lá , para lá da ponte , para lá do rio

e da curva que dá descanso ás águas

e dos salgueiros perfiladas margens

na lama dos caniços no terror da manhã

no pântano , na cheia , nos lobos ou na sorte

de quem desce sem barca

pelo silêncio agreste do tumulto.

Se a alma é uma anarquia de pedaços

são precisos os lábios para aquecer os sonhos

para erguer os tijolos para fazer as praças

para escrever as frases do nosso entendimento

para nos darmos as mãos , para existir

e procurar pagar todos os impostos

com ira , raiva e o discernimento

que nos faça acordar no outro dia.

 .

___________SAÍDA_______________

 

Quizeste abrir a porta por onde entraste

se queres sair pois não te impeço, sai

não sei se levas mais do que deixaste

ou se deixaste mais do que aí vai.

                        ++++

Foi hesitante, leve, não segura

a experência entre nós,pelo meu lado

podes levar o que trouxeste, na pura

convicção de muito ter ficado.

                       ++++

Orando aos deuses vou dia após dia

consumindo no mundo a vida eterna

não te vejo passar nem a agonia

se a levas contigo me governa.

                       ++++

O vazio do tempo é quanto basta

á minha resumida previsão

nada mais me consome nem me arrasta

no regresso aos segredos do meu chão.

                       ++++

Leva tudo o que queiras pouco importa

na mistura que temos a esquecer

para abrir ou fechar já não há porta

nem há tempo sequer de a fazer.

 

 

 

 _______POEMA 10__________

.

No fim da terra, havia um rio

de sonho em sonho, fez-se, sei lá

de leito cheio, leito vazio,

que lhe fizeram , barcos de estio,

que o vento norte já não lhes dá ?

                    x

Vento passante, vento e trovão

cumes da serra , que é dos teus sóis

coitos em fuga, aonde estão

os pensamentos vindos de então

de então erguidos como faróis ?

                   x

Espectros, fantasmas, por onde habitam

tantos segredos ditos sem voz

onde se perdem, onde se agitam

que danças tecem, que letras gritam

os que voaram, dentro de nós ?

                   x

Que regras ávidas de sofrimento

a sangue dizem que isto é assim,

já não há roupas ? Não há momento ?

não há principio? Não há unguento ?

já não há noiva ? Não há festim ?

                   x

Margem da noite , tão fria e nua

mora nas sombras tanto pensar

sonho que em medo se desvirtua

acorrentado na luz da lua

cego de vida , á mão do luar.

.

  

  

     ____GUI_________

 

Não te deites na areia pela praia

nas arribas torradas ou no vento

que esquece o tempo desse mar de genes

que te passa na frente

não agites as sombras que do sol

passeiam pelos corpos transparentes

tudo o que foi e nada está ausente

nesse mar calmo claro como sempre

se vês não grites que fazê-lo é vão

não é fluxo de água o que ali corre

na ravina do rio quando acorda

a madrugada nua e a lua cheia

faz deslisar por tudo quanto é raiva

nosso fugir acorrentado em vão

não de abandono não de esquecimento.

Esqueci-me de nós na natureza e ira

de fantasma e porão e nos segredos

do deserto queimado pelas vagas

do sol do verão de chamas ardiloso

pela praia que estendida de chapéus

deixa aproximar a gente quase nua

ou como assombração vai semeando

pernas e seios descobertos pontos

para sorver os raios e as palmeiras

perfiladas na rua

escasso tempo e de fome

nos contornos do espasmo dum gemido

quantos adeus são fáceis de dizer

quantos corpos são mais que o simples nome

o frágil fingimento

antes que o tempo pare de correr.

 

 

____GUI-1_______________

.

Nada perdeste em me deixar ficar

ao fundo da escada num monte de palavras

já não havia sentido nem diziam

mais do que já esquecemos

do início que não chegou a ser

sob a vista das pedras dos poetas

a noite dos nossos batizados impacientes

                              x

Podemos abandonar ao fundo das escadas

tudo o que não vestimos

tudo o que não chegou a ser de novo

ambos utilizamos numa segunda vez os restos

parte que não ficou da estreia original

por erros gestuais e emoções

subtraídas ao controle da fertilidade dos sentidos

                             x

Atiraste esse pouco para a rua

como se nada fosse e nada foi portanto

no espaço interior do teu sorrir

sabe-se lá se no procurar de alguma coisa

o calendário a encontrará um dia

nas gavetas profundas das ruínas que habitamos

inadvertidos , ignorantes, ávidos

da dolorosa ausência ?

                            x

Amanhã o dia será pior que o outro

e sucessivamente

fabricamos o tédio a insatisfação

em cada sopro de vida renascida

ou mesmo na secura que nos invade o ser

fabricamos em sonho o abandono

de cada dia seguinte

o último e o único que sempre se poderá pedir

ao fundo duma escada

ou noutro sítio qualquer.

.

 

 

 MOMENTO_________

________________________________

Nunca me despedi . Estou desarmado

na manhã que findou .Mastro sem vela

com uma dor no peito e mais aquela

de quem sempre estou longe, aqui ao lado.

                              x

Nunca fugi , que fortaleza tinha ,

quanta desbaratei , quanta me dava

gasta por nada ter ! Nada ficava

também nada partia e nada vinha.

                              x

Nasci na ventania e vou morrer

tempestuoso, só e argumento

que nem contestação possa merecer

                              x

decalque aliás da gente que aqui passa

a vida é um segundo , é um momento

neutrão veloz de infinita argamassa.

 .

 

  

 ~~~~PLASMA~~~~~~~~~~~

________________________________________

 

Foi ela que fugiu do que me dava

coitada, arrependeu-se de ter medo

ao ver que o céu azul não tem segredo

como cais de estação , quarto de hotel,

temeu pela palavra que não tinha

inócua, vazia e sem perfume

fundiu-se no engano e no queixume

numa tarde de junho , antes do verão

vitimou-se sózinha

decapitada em choro e confusão.

                    x

Teve rosas nas mãos

na pele macia nos lábios de setim

beijos de amor

procurou no principio o mesmo fim

e teve o que não teve mais além

do seu pequeno corpo a duvidar

mas não disse a ninguem

que poderia amar

morreu de ignorância , julgando-a

sabendo que se fosse , muita ou pouca

no tempo se haveria de mostrar.

                    x

Hoje passa por ali e não é mais

que resto duma imagem

ébria de encenação

já lhe falta a firmeza da saúde

e o silêncio que traz parece-nos virtude

duma virgem qualquer

perplexo presumo a existência

dum mar em turbilhão

não lhe chamo excelência

mas sim ,senhora sim, senhora não.

 

 

                         GÉNOVA

.

Levas-me a Génova mostras-me a Lanterna

que me há-de apagar na tua ausência

gosto de te ver rir e do teu sonho

fazer mais que de mim , fraca experiência

                          xxxx

que levas tu na mão senão desejo

de seres procura e insatisfação

remota busca que não falte ensejo

de ser a porta doutra imensidão.

                        xxxx

cala-te na distãncia a outra face

de querer e de não querer passar além

tu és um bojador se não temeres

será teu outro mundo que aí vem.

                       xxxx

leva-me a Génova ao porto e ás vielas

de amar uma cidade navegante

ali ressurgirei nas caravelas

de português sem leme nem sextante.

                        xxxx

leva-me ao porto para cheirar o mar

salgado do país que me deixou

leva-me ao porto se eu quiser voltar

na nau do novo tempo que passou.

                       xxxx

apanharei no cais o teu sorriso

quando o vento o trouxer e a tempestade

para nele chorar se for preciso

morrer impregnado de saudade.

 

 

 

                                   PARTIDA

.

Partiste tu tinhas que partir

estava escrito nas pedras e no tempo

hesitações do pó do pensamento

o sopro do teu sonho de voar

asas de algum lugar

à procura de ti

                          x

e tinhas que partir pelo teu caminho

partir pelo teu pé

para te encontrares talvez ébria de vinho

para medires o amor

para saberes do mar

ao largo em teus silêncios escutar

o berço que trazemos

o nosso parto a nossa dor

                        x

e tinhas que deixar-me

quebrado o coração

os olhos num regato nos ásperos minutos

do meu inutil cais

que se destrói por si

abana tece

a luta que anda em mim

que me enlouquece

velha carcaça em busca do seu fim

 

 

 

_____________COIMBRA_______________

.

São sete da manhã

renasce o dia

e não te via assim

Coimbra

há muitos anos

vestida de romã

dispersa...

como eu próprio

me dispersei por ti

na memória do tempo

no silêncio

                    x

não se escuta o cantar

do carro eléctrico....

o quatro, o sete

o oito

em Santa Cruz

quando o principio era

nem existia fim

                    x

não te via Coimbra

na veste dos salgueiros

nas résteas do choupal

solene imobilizada

no alto das colinas

se me pergunto o que é feito de ti

nada respondes

escondida no tempo

perdida na saudade

nas ruas da cidade

onde me conheci

 

 

  

~~~~~~FIRENZE~~~~~~~~

.

Dos dois um figurante foi apenas

por sobre a Ponte Vechia observando

os turcos movimentos

da bailarina rosa

leves como espelhar de águas do rio

os pés de violino no vazio

sobre as pedras da ponte

como eu próprio passava

e absorvia ao pôr do sol ,

a fonte.

                   x

Um só , um só definitivo esteio

no ocre iluminado

da tarde no seu fim

um pedaço que seca outro que arde

e música a dançar constantemente

no consumido chão

que tem de mim

por entre gente

de toda a ocasião.

                    x

Na quietute do sol que exibe os tons

no breve pôr

vejo setins que voam rodopiam

no meu olhar castanho

que vai que volta

que ora se prende á tule

ligeira e frágil

ora se solta

num solfejo ágil

de penumbra e de cor

 

 

 

_________NOCTURNO_________

 

É na noite que nasce o nosso amor proibido

é na bruma dos dois que vens. Como se fosses

a escrita do meu tempo , imaginários doces

do caminho obscuro onde me fui esquecido

                              x

E na bruma de nós em cada noite espero

o corpo do teu corpo, o fogo do teu seio

da hora mais banal ao meu maior anseio

na vibração comum onde me agarro e quero.

                              x

É na inquietação que a busca tanto ignora,

suor regado ao som de nós em cada beijo,

que eu afogo o teu mar , observo e então vejo

as perguntas de então nas respostas de agora.

                              x

E vem a madrugada, as mãos, o crepitar

a embriaguez em tanto fogo e tanta dor

que apetece voltar subitamente ao amor

e ali morrer no fim da noite , a baloiçar~

 

 

_____TU_________

 

Não fosses tu e o teu olhar sereno

só de aparência feito e transmitido

eu não seria eu, nem o ameno

poisar do sol teria algum sentido.

                    x

Não fosse esse interior desconhecido

onde se fazem nuvens de vapor

eu não faria o eu que tenho sido

nem tu figura a que chamei amor.

                    x

Não fosse o que se quer, ignorando

a certeza que temos mais real ,

ou a loucura a arder de vez em quando

                   x

nada seria belo , nem igual

á imagem que em nós se vai criando

dum sonho muitas vezes irreal.

 

 

~~~~~~~SOMBRAS~~~~~~

verdes tíleiras minhas sentinelas

sombra dos dias tórridos de agosto

depósito de vidas

e a fresca claridade acreditava

que amanhã e depois tudo mudava

na expressão do olhar e do teu rosto

                    x

Minhas artérias descomprometidas

limpas de tempestades como agosto

dormitavam serenas no limite

do limite não ter

nem feridas nem esquémias nem saber

da água dos canais

ter a certeza de que o sol nascia

num mundo sem ter fim dia após dia

                    x

Verdes tileiras de profanas flores

ébrias de luz talvez de vinho tinto

esbranquiçadas pela tarde lenta

hoje lá dorme o coração cansado

que ora se opõe ainda perfilado

ora sucumbe á paz

e à tormenta

 

  

  

 _____BREVE__________

 

Um sopro ou uma luz

cálida tarde espanha

branca de pureza

raios de sol e sul

a cor dos olhos

a cor dos lábios

o rosado da face

a mostrar-se á manhã

e tudo o resto é nada

um circulo fechado

A penumbra do espaço

é um sentido

um roubo

uma agressão

uma carícia

e o calor dos seios

a delicia

dum colo redondo

onde baloiça o corpo

que nos enlaça a alma

nos acalma

até á extremidade do caminho

para nos trazer a paz devagarinho

ou mergulhar

no abismo

da senhora Del Rocio

 

.

                  SIOUX

.

Os sioux foram as vitimas históricas

dos náufragos piratas doutras eras

do paraíso que há no novo mundo

tão velho como as guerras

de espingardas de bombas de napalme

no outro lado do mar...

 

fica Bagdad cidade milenar e berço

da  civilização

onde se implantam

assassinos desordeiros

e mais alguns obreiros com boas intenções

o sete de cavalaria e toda a porcaria

da loucura veloz da quimera do ouro 

                    x

a exterminação dos apaches

as reservas  dos indios e dos homens

e a limpeza étnica

as grades de guantanamo

as bombas de hiroxima

e Bagdad Bagdad

quantos mil anos ?????

                    x

cantar em verso esta proeza crua

da nudez dos impérios

em fita celuloide é a glória

das novas babilónias

que faz nascer o choro e a revolta

a raiva o ódio a morte

pois já não se suportam no eufrates

os feitos inventados

da idiota história dos cow boys

de revolver na mão

e ferrugentas latas invasoras

para roubar petróleo.

 .

  

 

 

 

 

 

 .

publicado por Peter às 01:16
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