O MITO DA PROCURA DE DEUSES E DEMÓNIOS

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

TERMINUS 2

    

                                                                                                                                                                                                                                                                               

_____ALVOR______________________

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Gaivotas do Alvor, quantas me trazem

o riso dos reus olhos o seio do teu rosto

as vibrações da noite nas areias

que a praia foi juntando

em todo o tempo !

                    x

Deste-me mãos , as tuas mãos pequenas

leves laranjas , luz do teu cabelo

a âncora do cais aguardando a maré

que nos detém no barco , no convés

ainda por partir...

                    x

aperto do teu corpo ,corpo a arder

no total abandono

voando pelos íntimos prazeres

do nosso esquecimento

bote de liberdade sem passado

num mar sereno de gaivotas feito.

,

  

 

      ECO_________________________

.

Passas na rua

já não fica mais

que resto do perfume

dos teus olhos

Rita Antónia

no granito que soa

dos teus passos

a loucura morreu

o sonho

adormeceu

no relógio das horas

não há recuo

na rua dos compassos

os teus sapatos

são o comprimento

sem uma expectativa

de calçada

ou um momento

de esperar

por um cortejo

a rua é um cinzento

e complexo conjunto

de coisas desconexas

Rita Antónia

para além disso

não mais

que o charro

conquistado a martelo

sem te prostituires

é o que é...

.

_________SONHO_____________

.

B astava não ser nada e vir a ser de novo

alguma coisa mais que resto duma estrela

ou resto de cometa

e medir, verificar e ter conhecimento

do simples lugar onde os teus olhos rasam

a tua alma treme a poeira levanta

ou a razão se inunda de insatisfação

                    x

Bastava ver-te rir

rir e sorrir no sol pelas manhãs

e ter a teimosia de nunca me esquecer

do caudal que aumentou

e inundou a ponte que trazemos

ainda inacabada

                    x

Bastava juntar sal aos meus dias libertos

apanhar a neblina quando sobe do vale

que nos agarra o corpo

e me rebenta artérias

dilacera sentidos

me cega na loucura de não ser

identificação.

                    x

E voltar a ser nada com o olhar

sereno dos teus prados

sonhados na poesia da pintura

que afagas sobre a terra

voando leve como um asteróide

entre a luz que se esconde no crepúsculo

e a memória do espaço que ainda tens.

.

      

                                        

.  _____ BARCOS_____

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~                                  

São sombras reflexos ou fantasmas

ou barcos só apenas barcos leves

ancorados na praia

costurados de cor

pintados de encarnado

de azul e de maria

e de ana e de flor

flor do mar

                    x

São os silêncios sons do fim da tarde

aurea de anoitecer

pedaços dum olhar

restos dum gesto

um simples apontar

a imensidão incógnita

de toda a hora

e de todos os nadas

                    x

Mastros pagãos tinta da mão

das almas e dos medos

dos monstros dos abismos

e dos filhos

no berço da sua mãe

um mar de prata e amor

um mar de espuma

em cada ida

quando o barco vem.

.

 

____FOZ DO ARELHO_________

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Como gaivota que volteia ao sopro

na bruma da lagoa

abre-se á madrugada o trinco da janela

que dá para o mar

que na praia abalroa

                    x

a amena manhã semeia as ondas

que se matam na areia

correndo a apagar os mitos duma noite

bronzeada de essência

mas tudo não é mais do que um segundo

e tudo é aparência

                    x

pois já nasceu a prata da manhã

serena cópia dum pescador a rebocar o sol

brilhando algures

na superfície plana da maré

mas nós, cercados do azul profundo

duma janela aberta á maresia

libertamos as grades ao tomar

o calor matinal

na mesa do café.

.

 

______CAMINHOS______________

 

Se houvesse outro caminho

para seguir viagem

outra ponte romana com destino

e tivesse a divina vantagem de saber

antes de acontecer

o que fazer

talvez voltasse a ser o que não fui

ou faria outra vez o que me exclui

do fatídico ponto de escolher

                    x

podia ser presságio nevoeiro

cerrado cego abrindo tarde ao sol

podia ser o que em lado nenhum

se encontra em nenhum lado

um fantasma ou um deus

um sonho inacabado

ou desperdício dos profundos ceus

                    x

mas tu serias sempre a mesma flor

selvagem nascediça erva dos montes

rude como o nascer de quantas fontes

rasgam á força entranhas maternais

sempre prelúdio embalador de peça

que nunca mais começa

e não acaba mais.

.

.

______MHILLA___________

.

É na diferença entre nós que te observo

na tua meia idade enobrecida

pela face corada e por reservas

que me parecem mais de juventude

que outra coisa qualquer

                    x

apenas construindo conseguimos viver

entre tantos papeis

são todos brancos e ontem poderia

servir-te muito como serves leve

tanta palavra vã

ou poderia amar vinte anos depois

depois do antes ter acontecido

pelos barrancos onde passa o caminho

que regulou o tempo dum teu olhar feliz

no aroma nas flores duma viagem

que nunca se repete

                    x

era aí que haveria o primeiro dos beijos

o primeiro que o sol beija nos olhos

o primeiro que o sal beija nos lábios

o primeiro que o corpo imprime e traça

nas colinas erguidas dos teus seios

quando era o tempo do tempo que passou

.

  

.

____NOVELO_____________________

_________________________________

.

Um dia há-de nascer um novo dia

um dia sem talvez

um dia em que te conte era uma vez

uma história de amor

um dia sem o ódio destes dias

sem lágrimas de fome

sem acenos de guerras

um dia só das nossas utopias...

                    x

Um dia em que ao chegarmos ao meio do dia

o sol já tenha dado ao mundo inteiro

a volta

o trigo e o celeiro

abastado para pão

tenha feito sorrir em cada alma

o perfume da flor

e não reste para dar

não mais que amor.

                    x

Um dia bem diferente

deste dia que temos pela frente

e no entanto

é possível fazê-lo

mão sobre mão novelo após novelo...

.

 

_____REGATA__________

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

.

São velas desfraldadas

as regatas que vemos da janela

em filas uma a uma

saiem do porto ao vento

para ir a todo o lado

ou a parte nenhuma

barcos em movimento

risco branco de espuma...

                    x

Vem da lanterna a chama

a empurrar as águas

um segundo um momento

recordações e mágoas

que ora cantam e soam

minha história uma vez

nas docas de lisboa

um sonho em portugues..

                    x

São velas liberdades

saltitam são pardais

para formar um só

no seu regresso ao cais

janela da cidade

que a lonjura apregoa

e me fazem um nó

em cada erguer da proa.

.

.

__________CHAT_____________

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

cliquei na internet...

olá sou eu

sou eu um anjo

um anjo e sou do céu...!

stupida cosa

pensei italiano

e voltei a clicar

io che so paolo e che non parlo

o português corrente

mas o anjo voltou alegremente

sto ti guardando qui del paradiso

será ele ou sou eu

a quem falta o juizo ?

pôs-se a saltar no plasma

de fibras ópticas

e eu pasmado

che cosa posso fare

e cliquei

cantou bailou gritou

e eu olhei

para uma imensa corte

donde o rei

se fazia coroar de disparate...

ma veramente

eu já não era eu

eu  era um chat...

.

.

~~~~~~~~QUEDA~~~~~~~~~~~~~~

.

O tipo que me deixou cair por aí abaixo

bem o poderia ter feito

com uma protecção

mas não

foi saco de cimento

que se espalhou

pelo chão

                    x

O pó que levantou desapareceu

e com ele os sinais

do modelar do barro

os items iguais

da semelhança

que vai dum dedo ao outro

dum corpo ao outro corpo

do sol á lua

ou até só

ao fim da minha rua

                    x

O tipo que me deixou cair

num sábado de shotes

esqueceu na ressaca

toda a filosofia

numa pedrada de ordem

fez montes de papeis

e neles me queimou

no lixo que fazia

.

 

________CASINO________________

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Aconcheguei o sobretudo á gola

ou o contrário a gola ao sobretudo

estaria frio e muito só a noite

zero graus na parede das minhas mãos

cada dia que passa as mãos são menos

o frio aumenta esvazia-se á volta

desse sentido obrigatório azul

colocado pela câmara no largo do casino.

                    x

è por ali que passam diariamente

muitas das pulsações dum aglomerado

as palavras já ditas as não ditas

as escondidas no interior amargo

as que soltam gorgeios na garganta

aquelas que nem sequer existirão

e por ali guio devagar e sobre

as ruínas muradas do meu tempo.

                    x 

também por ali a noite cai á noite

de toda a gente rigorosa e fria

fria como o deserto ou como a alma

até como um balão que se esvazia

e que não volta mais ao centro civico

vou só de sobretudo aconchegado e gola

por um inverno azul em que o sentido

de se pôr um sinal não tem sentido.

 

.

~~~~~UCANHA~~~~~~~~

.

Existe uma varanda á nossa frente

donde se vê o mar

os campos que lhe chegam

os rios que os sulcam

as neblinas brancas

nuvens a esvoaçar

                    x

nas sombras esconde-se a quietude

do espesso patamar

escutam-se os silêncios

o vento a marulhar

os ramos espessos altos

que à luz vão murmurar

                    x

solta-se o sol das nuvens

pisando pelo chão

pintando o musgo verde

num verde de ilusão

propagando-se em beijos

fluidos de paixão

                    x

um degrau um caminho

uma fonte em redor

um regato fugindo

um banco ou uma flor

o ligeiro gorjeio

na voz dum morador

                    x

um acerto em palavras

folgadas de calar

as pedras das portadas

manhã a gotejar

a névoa que se estende

juntando a terra ... ao mar

.

.

-------------VER-----------------

.

Caminho da minha porta para o nada

entro na rua pela janela aberta

vou ao regato dos liquidambares amarelos

quando me sento no banco de madeira

passa o dia por mim e não o vejo bem

                              x

o lago estende-se um pouco mais á frente

com gansos e um par de patos reais

voando sobre a água e voltam

na sofrega ingestão das suas vidas

particulas de insectos e de luz

                             x

luz que se estende e cresce verdejante

barcos voltados nas veias da minuscula

e ilusória ilha do tesouro

sentado no meu banco de madeira

vejo passar-me o tempo na memória

                             x

um par de garças brancas explode

na margem escondida do inverno

fulgor adormecido o renovar

nas minhas mãos deserto

e no olhar um livro não aberto

                            x

quando vier a primaversa aflita

serôdia dumas chuvas

vai borbulhar nos ramos das encostas

com tanta pressa e tamanha avidez

que tudo voa e toma a sua vez.

.

   

__CORAÇÃO________

.

Um dia irás arder

meu coração de folha de eucalipto

desfeito por entre as urzes

consumido no fogo

que alastra pelo verão

em grandes labaredas

                    x

Um dia vais arder

meu coração de folha de papel

empurrado pelo vento

na explosão das árvores

num rastilho de pólvora

aceso pelo sol...

                  x

Um dia vais arder

meu coração de folha de papiro

mirrado e entupido

silenciosamente

nos canais que tu tens

é que eu respiro....

.

 

 

________CRIME_________

 --------------------------------------------------------

Ouvem-se ao longe,longre,longe,longe

rajadas surdas de metralhadoras

que nos entram em casa

enquanto pinto árvores da serra do buçaco

em plena primavera

com vómitos de horror

                    x

os projecteis rasando pelas ruas

atravessando as praças inocentes

encharcam a cidade

o sangue corre, apalpa, tinge o asfalto

e rebentam as bombas entre dentes

e o chorar das mães habituadas.

                    x

balas que saiem entram rodopiam

ricochetes que perfuram ovários

de quem nunca nasceu

não foi homem mulher

ou outra coisa qualquer

em Bagadad

                    x

á noite é a escuridão que nos acorda

testemunhando o incomodo que é a morte

voando pelas pontas das rajadas

nos miseraveis dias

do parideiro inferno do mais forte

vendido em saco higienizado

via televisão....

.

.

_______ECO 2_____________

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Quando passas na rua Rita Antónia

deixas ficar um traço de perfume

o resto dos teus olhos consumidos

no eco do granito dos teus passos

sei lá se se perdeu na estrada de lamego

no tojo duma pedra de aviar

ou no saltar do açude num riacho

o teu olhar...!

                     x

o relógio parou contra a parede

no fundo da viagem

e os ponteiros foram de ambulãncia

em estado muito grave

para um sitio qualquer...

                     x

na curta rua que nos levou

ao relicário

de s. joão de tarouca

há apenas ruinas de ti própria

e uma curva

que agora junta artéria após artéria

num arriscado by passe..

                     x

em redor é silencio enevoado

por onde gritam labios desconexos

e labaredas de fome

Rita Antónia

para além disso

não mais que o charro

conquistado a soldo lacrimal

tua prostituição

é o que é...

.

.

 

         ESCREVER

 

se para lá dos segundos

e dos raios de luz

vertiginosos

existe coração

não é o meu

tudo isto é inseguro

não mais que imaginário

e também um olhar

centecimal

se existe

masturba-se

não é teu

nem é o meu

nem  aquele

que eu uma vez  tentei...

desafiei...

é muito menos esse

que se o soubesse

cantar num livro

ou em guitarra 

em verso

em  tempo

em espaço

para voltar um dia

e compreender

a razão e o ser

e o não ser...

pois sendo mesmo assim

nada seria.

.

.

____CARTA____________

.

Voltei atrás e tinha a intenção

de chegar ontem ao meu destino final

só a recordação me faz partir

no vazio interminavel

do nosso tempo onirico...

espero chegar ontem de manhã

pois é a partir de ontem

ou da semana passada

que posso reencontrar o que deixei

o que já não procuro

mas tudo deixei ficar para amanhã

á tua espera

não sei mesmo se é amanhã que partirei

se não chegar a sair da manhã de hoje

amanhã chegarei já antes de ontem

para partir definitivamente...

de qualquer modo

nada modificará

o rumo da viagem sem retorno

viajo na trajectória das sete

que a partir da curva de centauro

se precipita no abismo

escrevo-te uma carta se puder

tiver papel e uma esferográfica

uma carta de nada...

mas nunca a leias

se te chegar á mão

se o fizer é do futuro

por onde se apagou todo um passado

a que não terás tempo

de regresso.

.

 

 

 

.

____NÃO VIAGEM_______

_______________________

 

 

Não é este ano que vou a Cagliari

pois me parece mais que virtual

a história da viagem...

apanho o barco sei

são umas horas duas

e a praia abre-se como se fosse um corpo

e o sol convida como se fosse Io

satélite de Jupiter

e surgem deuses na imaginação

a dedilhar as citaras plangentes

de fenicios e gregos

até ulisses nos pode ressurgir

com três velas latinas e um leme

na volta dum rochedo...

mas ir a Cagliari

na esperança de te  olhar este ano

ou apanhar cerejas maduras

com virgens de silicone...!

oh ! aventura turva

em mar paralisante

pelos teus quatro olhares

mais um em ponto grande

o mastro da mezena

ou um copo de vinho

fica contigo

não vou este ano a Cagliari

deixo para depois...

 

publicado por Peter às 16:15
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