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MONTEBUZACO

O MITO DA PROCURA DE DEUSES E DEMÓNIOS

MONTEBUZACO

O MITO DA PROCURA DE DEUSES E DEMÓNIOS

28
Abr07

montebuzaco 1

Peter

 

 

_________NEVE___________

_________________________

.

Caiu a neve pela noite inteira

por sobre a ramaria sossegada

silenciosa nuvem de poeira

branco lençol que trouxe a madrugada

                        lllllll

Debruçaram-se os cedros nas veredas

que também elas são só de brancura

sustentando em seu corpo ondas de sedas

remates de algodão na bordadura.

                         lllllll

Correm regatos de água saltitando

de pedra em pedra que parecem ais

um bloco a cair de vez em quando

tudo o resto é silêncio nada mais.

                          lllllll

Em santa Teresa congelou-se a bica

figura dum soldado arma na mão

na gélida escultura identifica

a lusa farda ou de napoleão?

                          llllll

Na cruz alta há um trilho e é manhã

tombam flocos do plumbeo céu

do caramulo à estrela ou à lousã

o mundo é branco unido num só véu.

                         lllllll

Os pilriteiros gemem e sacodem

a invulgar penugem numa aragem

querendo soltar o peso que não podem

aliviar do corpo da paisagem.

                        lllllll

Há telhados escondidos e verdura

que hoje não é senão coisa adiada

todo o verde não passa de leitura

da nossa consciência congelada

.

  

  

______________________TRONCO

__________________________________

.

Está a ruir um tronco

um tronco do buçaco

na estrada sinuosa da ribeira

deixou de correr água

a hospedeira

que anuncia o morrer

deixa tombar folhas amarelecidas

das árvores consumidas

pelo verão

.

nasce  na bruma

o respirar  profundo

precede a tumba

onde se deixa o mundo

rugas que rugas dão

um carvalho que  flor

esquecido e minguado

num estertor

de esplendor

já não fala e se geme

verde casaca inóspito suão

aguarda o que não vem

depois do leme...

.

consome-se em lareira

cama de ocasião

e na memória

como ossos dum monge

ou cepa de videira

talvez vinho da nossa iniciação

numa cave  singela em mosto doce

preso no tempo

dum acenar a mão.

 . 

 

_________MOMENTO

     _______________________

 

.

Água do alfusqueiro é cor da prata

corre pelas nossas veias faz sentido

chora no nosso olhar quase escondido

refresca o nosso ardor que se desata.

                             lllllll

Água que corre e vem fresca de alcoba

limpa todo o rubor que há numa face

coa toda a nudez do nosso enlace

e canta em toda a pedra onde se escova.

                            lllllll

Água vinda do alto desce em beijos

das deusas que nos cerros se desfazem

a carpir o amor que nunca fazem

por que da terra são fatais desejos.

                            lllllll

Assim corre este rio milagroso

em barcos de madeira por fazer

com o porão tão feito de prazer

como o corpo de amar é desejoso.

                           lllllll

Debruçam-se as acácias sobre o espelho

das nossas inquietudes perdulárias,

tanta sombra a forjar figuras várias

tanta cor a tingir-nos de vermelho.

                          lllllll

Se nos cair em cima o predicado

dum sujeito qualquer que somos nós

fiquemos uns minutos ledos sós

a expiar sem dor nosso pecado.

                         lllllll

Que água do alfusqueiro é cor de prata

foge-nos sob os pés correndo à toa

a sugerir o sonho de lisboa

o mar o rio o tejo uma fragata.

 

 

.

___   O TELESCÓPIO HUBBLE

___________________________

.

Lá vai no ar o telescópio Hubble

Huble manuel da silva qualquer coisa

não é bem portugûes é john é ford waine

e vê tudo se diz como se o mundo fosse

um bolo muito grande mais amargo que doce

.

vai no ar e palpita vendo a lua plutão

cinturas de asteróides ferro velho e então

emite um som bocado de cd

que diz permite ver eu não sei bem o quê

mas esse mundo antigo do tempo dos romanos

das guerras púnicas de atenas espartanos

o principio dos sóis azáfamas divínas

os vomitos de enxofre do alto das colinas...

.

era bom e cegou-se o telescópio Hubble!

amaricano como toda a coisa

de pompa e de jornal

Hubble ou ford ou fonda não faz mal

foi concertado à força pelo robot

que subiu no chalenger vejam só

e pô-lo a ver mais lá no vazio

que a lente progressiva do meu tio

.

de resto tudo o que há é gêlo e morte

não há leste nem sul oeste ou norte

somente o telescópio sempre a olhar

para os buracos negros ao luar

e a transmitir em bipes permanentes

expectativas dos nossos ascendentes

.

bom telescópio Hubble velho joe

talvez de oklaoma fall river eu sei lá

vai acabar no espaço quem sabe se entalado

entre ondas de neptuno desertos de titã

tirando fotogramas todo o ano

á matéria que gira numa anã

bem louco telescópio vai voar

quem sabe se até ultrapassar

o sistema nervoso e o solar...

 

 

________________UNIVERSO

.

No céu existem estrelas planetas e cometas

grandes distâncias tremendas explosões

buracos sóis plasma e embriões

Células caldos àcidos provetas.

                      lllllll

Coisas comuns não há se não me engano

nem dúvidas problemas ou lixeiras,

nem há gestos nem rostos nem canseiras

nem viagens de metropolitano.

                     lllllll

O paraíso algures na imensidão

é um sítio irreal e bem profundo

onde os bens comportados deste mundo

passam o tempo a ver televisão.

                     lllllll

Destes locais de aspecto tão diverso

supõe-se haver um rei com um crachat

tão grande como o tempo que será

maior que a sua obra o universo.

                    lllllll

Estrelas planetas e cometas

na órbita real tal rei decerto

mas não parece o firmamento esperto

pois são poucos os livros e as canetas

 

 

______CRIAÇÃO____________

Subitamente,

raiou sobre o sistema o dia

a criação das àguas

irmã de vento e nuvens

pariu casualmente células câmbricas

e avós ilustres

pelas margens dos mangais

inundaram os deltas

a guelra que surgiu

milimetricamente

foi conquistando a poeira

domesticando a lama

crescendo cubicando

as exclamações

como fazem os deuses

nas suas vastidões

as órbitas imensas

perderam meteoros

e a relatividade

impôs cósmicamente

o tempo do degêlo

escondidos

atraz de abetos

de fetos de coniferas

sobre musgo e bactérias

e algas e potássio

tudo o que existiria então

no paraíso

Deus e o Diabo enfim

boquiabertos

cruzam os braços

ante a evolução.

.

.

            FUGA

-------------------------------

.

Quando eu era pequeno e tinha um arco

e o abismo real não existia

debaixo dos plátanos corria

pelo rego foreiro leve barco.

                       lllllll

Uma senhora feita de amarelo

no meu primeiro livro de leitura

escapava da folha e na textura

se dissolvia o manto e o cabelo.

                      lllllll

Assim fugi à escola sexta feira

imaginando letras que sabia

tão fixas na página que iria

ficar colado a elas na cadeira.

                      lllllll

Acomodei certo constrangimento

conjecturando em drama clemência

e minha mãe com toda a paciência

avisada cessou meu fingimento.

                     lllllll

Espanto meu as letras que a senhora

conservava no livro piamente

como balão sairam livremente

pela janela junto à professora.

 

 

 

PÁSCOA

.

É domingo de Páscoa...

no meu tempo de menino do coro

ia-se à missa de manhã

vestia-se uma opa

de saber a doutrina

e de seguida

pequena procissão, lá ia a cruz

com o senhor vigário

o silva o sacristão

e de ordinário

carlos contabilista

uma saca encarnada

para a congrua esperada...

tlim tlim tlim

a campainha

anunciava de porta em porta

-Cristo ressuscitou, aleluia !

até ao fim da tarde

e tudo isto

por duas ou três bôlhas nos sapatos

roídos de cansaço

até à ceia na casa do juiz

um enorme cozido à portuguesa

cujo perfume nos chegava ao nariz

mal se entrava o quintal

todo ele odor

doces como cordeiros sobre a mesa

quase se adormecia

sob o olhar vermelho do prior

indiscutível braço do Senhor...

mas na segunda feira livremente

com quatro ovos num folar de pão

às portas de coimbra toda a gente

cumprir a tradição

já se esquecera judas escariote

o pôncio e os soldados a paixão

retomava-se a vida num fartote

de ovos cozidos na Ressureição...

é domingo de Páscoa pouco tem

p’ra lá do telejornal

jerusalém

vive um calvário japonês

de canoons nikons

ou handycam’s sonny

pela via dolorosa dum cristo

a encenar o drama da paixão

que havemos de espreitar na televisão

um soldado romano

copiado dum filme americano

uma coroa de espinhos e após

muitos crucificados actuais

no bloco das internacionais

não se vêem lilazes rosmaninho

mas um milhão de pessoas foi à praia

ao sul de espanha

trinta morreram em noventa acidentes

braga foi invadida por espanhóis

que vão fazer um jeito na estatística

à tarde não há juiz da igreja

e nada que recorde antigamente

pouco que seja

vão-se comprar uns ovos prateados

e ver uns coelhinhos pendurados

numas argolas que há no continente.

e seguimos prà casa engaiolada

onde moramos hoje hipotecada

mas que dizem ser lar e ser d’agente...

.

 

______________NOVA YORK

 

_______________________

Penso viver em Nova York á margem

dos semáforos verdes no deserto

de transportar bilhetes na bagagem

cuja sala não tem programa certo.

                     lllllll

Misturar este corpo e estes braços

nos montes de sucata em avenidas

onde as pedras dão folhas e os passos

são desejos são ânsias são medidas.

                    lllllll

Calar ouvir no silêncio da rua

como vómito quente dum vulcão

o tremendo ruído que insinua

cada membro fiel da multidão.

                   lllllll

Completar o assombro da paisagem

na vastidão da órbita tão perto

que a urbe se desfaz como miragem

e a sala tem programa e tem concerto.

                  lllllll

Ajoelhar reconhecer esquecer

lavrar definitiva devoção

ao mito da memória de não ver

o que é ter ou não ter dolares na mão.

 

 

 

_________VIAGEM___________

-------------------------------------------

.

Na encosta noroeste da serra do buçaco

os cedros apinhavam-se nas pregas do sopé

colados ao estradão de macadame

as pedras deslizavam pelo declive

cobrindo-de de musgo nas barrocas

escondidas no tempo castanho

do citroen preto a galgar obstáculos

de natureza circundante

havia então pelo ar

o cheiro verde e gosto dos limões

a cadência era certa era pequeno o mundo

onde o brasil de meu avô

foi o limite das coisas conhecidas

a estrada morreu no alcatrão

enquanto as minhas calças compridas

se transferiram do egoismo

após todo o jejum original

o automóvel de cidade em cidade

incentivou a ânsia o exterior

o chão sedimentou sozinho

agora nascem silêncios em redor

espaços do hoje de ontem e a manhã

de nevoeiro a desenhar fantasmas

nos cedros do noroeste cresceram

como deuses e tapam as encostas

na busca persistente da luz

a medida do seu tempo detem-nos

no corpo e habitat das barrocas

onde o estradão abandonado

morre descalço.

 

 

 

________REGRESSO_____

___________________________

Quando vim de Paris trouxe comigo

um coração de Eiffel para te oferecer

tu saltas e sorris e que castigo

é dar-te o coração e não te ter .

                      lllllll

Foi nas margens do Sena que comprei

com moedas de francos teu olhar

se as àguas a correr viram não sei

sei lá se apenas eu te vi passar !

                     lllllll

Recolhi cá por dentro essa miragem

nos mais íntimos bolsos do meu ser

no bote dum pintor mudei de margem

até que o sol se pôs no entardecer.

                    lllllll

Traduzi tudo como vês num só

amuleto de azul e de interior

talvez p’ra além dos dois venha a ser pó

e depois de ser pó a ser flôr.

                   lllllll

Agora um beijo é bom tarde serena

p’ra te envolver nos braços e ficar

a consumir as horas como ordena

a vontade que tenho de tu dar.

                   lllllll

E de espalhar os teus cabelos leves

sobre o meu peito a fios de pincel

saborear o tempo pois são breves

os momentos de amor ternura e mel

                  lllllll

Quando vim de Paris trouxe o desejo

de te abraçar e dar a Torre Eifel

tudo o que foi foi pouco mais que um beijo

à noite recordado num papel.

.

.

::::::::CLERMONT:::::.

.

São verdes muito verdes

os montes de Clermont

são restos de vulcões

e da fita esticada

do preto da auto estrada

onde correm pneus da michelin

são verdes muitos verdes

os campos de Clermont

e por serem assim dizem é bom

desafiar a tecnologia

a fabricar arames de latão

nesta mitologia

de nova erupção

negras naves da sé

penduradas no céu

abrindo o apetite dum café

na praça da mairie

cheiram a terra a parto doloroso

convite precioso

para observar na bolsa

um Toulouse Lautrec...

à saída um senhor plastificado

envolvido em pneus faz-nos sinal

encantador e lesto bien jolie

ora tomba daqui ora dali

abrindo uma bochecha de content

-não não vão por aí por aí vão mal

há muitas obras em Clermont Ferrand...

.

 

_______BÔKALÔ ___________

-------------------------------------------

.

Há mil janelas no céu de Bôkalô

na floresta plena primavera

liláses no jardim de roxo claro

duas cadeiras vagas sobre a relva.

                       lllllll

Verde em redor nos prados estendidos

onde as fendas da estrada fazem cama

uma porta p’ra rua sempre aberta

o calor duma noite procurada.

                      lllllll

No interior recordações sem fim

horas ganhas tranquilas acalmia

e um pequeno almoço feito de ovos

e lírios espalhados no caminho.

                     lllllll

Um janelão transporta a floresta

à nossa intimidade elaborada

desprende por momentos o redor

p’ra nos deixar fugir livres na manhã.

                    lllllll

Deitados a sonhar a ter presente

a imagem ausente desejada

como se as àrvores verdes nos beijassem

quando se vestem de claridade.

                   lllllll

Voltei a Bôkalô p’ra nunca mais

haver de lá voltar com a certeza

de desejar fazê-lo e marcar quarto

um dia à tarde pelo telefone.

.

 

_______DISTÂNCIA_________

__________________________

 

Dista o que dista

d’outras civilizações...

ninguém sabe

onde fica o comando d’outra nave

se cada estrela é mundo

ou para lá de cada uma

das móveis ou imoveis

haverá astros e astros e astros

outros formatos e civilizações

outras vidas outras fornicações

sonhos que o homem põe

e deus esconde

para não nos mostrar por quanto

e até onde

controla o seu saber...

dista o que dista de sóis

luas galáxias

ou doutras vias lácteas

e de mais quê

de tudo o que se vê e se não vê

de tudo o que se crê...

...capacidade de multiplicar

volume de pensar...

para tudo acabar

num buraco tão negro

como um buraco negro

.

 

______GALÁXIA_________

___________________________

.

Não há dias serenos como eram

de esperar nos tempos que decorrem

há sóis a explodir dias morenos

e distâncias enormes nos consomem...

dois mil e cem espaço sete sete

código amante luz noventa e três

a nave mãe navega no distante

mar de cervantes já lá vai um mês

autonomia à vista meios próprios

problemas nas comunicações

ano e meio de rumo kapa Kapa

comboio oculto para lá de radiações

quinze dias de luz jornal de bordo

terra é braseiro trópico incandesceu

aumenta tempestade e eu não sei

o que te aconteceu ...

são notícias antigas via urano

retransmissão giotto e prometeu...

relembro a côr castanha dos teus olhos

nas ameias da cerca em Santarém

as flores amarelas do vestido

as lágrimas de adeus que foi também

o contrato entre nós

no tgv do sul sonho veloz...

navegação frontal fuga aos pulsares

Kapa Kapa chamando português...

galáxia de andrómeda quinta feira

código amante...luz noventa e três

Allô...Allô...Allô

.

.

________TANGO_________

_______________________

.

Quando eu morrer

e for no autopulman

a caminho do céu

quero ver os teus olhos

estrelas cintilantes

na berma da viagem

dirás que vês passar

esse que foi rapaz

da camisola azul

com duas riscas brancas

e que cingiu o teu vestido verde

no baile de ano novo

e não te deu um beijo

pela vergonha

de não teres respondido

ao seu abraço

a caminho do céu

ao longo da paisagem

quero encontrar teus dedos

quero dançar contigo

um tango que se arraste

pelas veias do percurso

e sentir o teu colo numa brasa

ao som do mavioso saxofone,

no baile de ano novo

em mil novecentos

e sessenta e quatro.

.

 

_______________LISBOA

.

Lisboa, onze da noite

na bruma dos receios

no cais do nosso olhar

espero pela distância

e pelo atar dos laços

que o dia separou

nas ondas dos teus seios.

Lisboa está vestida

de ponte de lanternas

de noivado e à espera

do sítio de encontrar

mãos dadas a sorrir

no silêncio envolvente

é noite, é meia noite

é meia noite clara

na noite de Lisboa

vestida com a cor

do teu vestido preto

e as luzes que se espalham

beijam como luar

o rio prateado

de cais em cais

onde se amarra o sonho

e se pode ancorar.

 .

 

 

_____________MADRID

.

É manhã é agosto e é Madrid

abafada em calor pela gran via

deserto duma noite adiantada

na frescura dos bares e das esplanadas

todo o corpo cedeu a essa sêde

ceifada num quiosque num gelado

que introduziu a noite e viajou

para cá da planície castelhana

peguei no telefone da cabine

às oito em ponto

para lembrar que a loucura me segue

além da raia em Paris Santiago

Lisboa Amesterdão ou em Madrid

ouvi o fio o outro lado lá

lá onde fica o verde das colinas

e as perguntas esperadas sem resposta

como quem pergunta por vós

mortos de guadarrama silenciados

no fusil em percurso numa ideia

uma revolta em vida encravada na vida

de todos os que mataram

às oito horas toca o telefone em ponto

e foi nem mais nem menos o toque

duma manhã de agosto por aqui

numa cabine pública em Madrid.

 

 

_______SILÊNCIO___________

___________________________

São muitos os silêncios

que nascem das palavras

ainda por dizer

e para trás ficaram

lilazes de Bokalô

os timpanos do tempo

que ferem as ausências

lapsos e ruídos

das silabas não ditas

dia a dia

são ásperos violentos os barulhos

que se procuram esquecer

na sombra doutros ventos

e as mãos que se fecharam

foram criando noutro lado

os vícios e as ânsias

não há cigarros na praça da república

mas há sempre uma praça em qualquer lado

da republica

para acender um cigarro

ou comprar um jornal

ou lembrar um passado

ou sentar-se num banco

da vida duma praça

no fumo do percurso recordando

lilazes de Bokalô

na hora certa da ceifa

na duvida das palavras e silêncios

que nunca se disseram.

 

 

 

 

 

.
.

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